segunda-feira, 2 de abril de 2007

Mais do mesmo


Li agora a pouco que mais uma criança foi assassinada numa tentativa de assalto no RS. O que me chama atenção no fato é a quase semelhança com caso do João Hélio, ocorrido a pouco tempo no RJ. Infelizmente a história se repete constantemente e, quem sabe, o país se solidarize mais uma vez com mais essa vítima da violência urbana.

Já estou vendo os principais jornais veiculando a notícia e a sociedade novamente "se indignando". Isso tudo me faz pensar numa frase dita pelo pastor Martin Luther King: "O que me assusta não é o grito do mal, mas o silêncio dos bons!". Esse tipo de situação que constantemente acontece em nossa sociedade, faz me questionar se realmente somos pessoas que sabem o que é o valor de uma vida!

Só quem sente na pêle essa dor, sabe muito bem que, simplesmente se comover, não vai adiantar nada. Nosso povo está acostumado a se comover com tudo que é barbárie que está acontecendo (e eu me incluo nesse contexto), porém, diante do que o estimado pastor disse, acho que não é suficiente. Comoção nunca mudou a história de nenhuma sociedade, acho que era mais ou menos isso que o Senhor Luther King tinha em mente.

Analisando o quadro geral que vivemos, tenho que ser sincero em dizer que estou cansado...

Cansei da sociedade que se comove com a morte de mais uma criança e daqui poucos dias esquece o caso! Guardamos mais facilmente na memória lances maravilhosos de uma determinada partida de futebol realizada a não sei quantos anos atrás, mas nos esquecemos rapidamente daqueles que morrem diariamente, não somente vítimas dos bandidos, mas também do nosso descaso mascarado de "comoção nacional". Afinal o número de vítimas é maior, quem vai lembrar de tantas? Besteira!

Cansei de promessas a respeito das novas políticas de segurança pública, que prometem reduzir a taxa de violência. Queremos tapar o sol com a peneira, achando que mais polícia na rua vai resolver o problema do descaso político com a educação, saúde, moradia, oportunidade de emprego, etc...

Cansei da nação que pára em média de 2 a 3 horas diariamente para ver quem vai ser a mais nova "celebridade" do BBB, financiando a Mediocridade S.A, ao invés de parar 10 minutos os principais centros urbanos em protesto contra o descaso das autoridades políticas. O problema é que pensamos que eles têm o poder. Acho que é hora de revermos nossos valores...

Talvez esteja completamente errado e, quem sabe, esteja sendo radical... mas a realidade do dia-a-dia não me permite viver no "Fantástico Mundo de Bob" e nem no "Alice no País das Maravilhas".

Cansei das pessoas que se comovem... Agora procuro aqueles que sabem o que é sentir a dor dos sofrem, chorar com os que choram.... Sinto falta de Martin Luther King, Madre Teresa, Gandhi, Malcom X, entre muitos outros! Esses esqueceram o que é comoção, mas com suas vidas mostraram o que é fazer a diferença! Falamos que o amor e a compaixão são sentimentos... Porém, essas pessoas nos falaram que o amor e a compaixão são atitudes, por isso a história lembra de cada um deles!

Cansei das pessoas solidárias e cansei das comoções... Afinal isso não vai mudar a história...

Haverá muito mais vítimas, muito mais lamentações e comoções, porém tudo vai continuar da mesma forma... Somente quando a vítima for alguém muito próximo a nós, talvez entenderemos um pouco melhor o significado da dor e da perda... Quando a dor do outro for a nossa... talvez nos esqueçamos da comoção e mudemos nossa atitude diante de tudo que vem acontecendo!

4 comentários:

Unknown disse...

O Brasil perdeu ou talvez nunca teve o respeito pelo próximo. O dia em que as pessoas passarem a respeitar a seu próximo como gostaria de ser respeitado aí sim estaremos dando o primeiro passo para o Progresso.
Quando é sitado Malcom X, além de Martin Luther King, Madre Teresa, Gandhi que realmente sem sombra de dúvidas foram pessoas que fizeram a diferença, eu paro para pensar em um filme que vi contando a história do mesmo e concluo que ele não deve ser citado como uma pessoa que fez a diferença positivamente, já que em nome de seus ideais foi racista e agiu de violência.

Ramiro F Silva disse...

Valeu Rita... Bjs

Anônimo disse...

Penso que as pessoas, primeiro começam a ficar indignadas e comovidas, depois, a se cansar (como você) dessa comoção, e assim passam também a buscar alguma maneira de fazer algo. Alguma maneira de transformar a comoção em atitude. Cada um descobre a sua maneira de agir, seja participando de alguma manifestação, seja escrevendo, seja fazendo qualquer outra coisa, mas agindo.
Posso estar errado, mas acredito ter sido esse o motivo da primeira eleição do Lula, por exemplo.
Ficamos cansados do que acontece no país e resolvemos mudar. Acho que agora está acontecendo algo similar, as pessoas estão ficando cansadas de estarem apenas comovidas. E a freqüência com que vemos diversas barbáries acontecerem está causando isso. Sei que na maioria das vezes as pessoas só se mexem quando a bomba, ou a bala, acerta alguém próximo o suficiente para que isso as cause algum tipo de dor. Mas acho que a mudança esta por vir. Vamos com fé, cada um fazendo o seu. Que um dia essa situação mudará.

Marcelo Pinto disse...

"O amor às riquezas" é o principio de tudo isso que estamos vendo. O homem se apaixounou pelo ter e acumular, isso não só entre os mais abastados, mais também entre nós. Acho que muitas vezes quando reagimos, é num intuito de vingança e não de justiça. Há algo de muito sério acontecendo no coração das pessoas, onde o contrário do amor, não é o ódio e sim a indiferença. Odiamos indiferentemente... Ontem vi uma cena que me deixou estupefado e a muito e reflexivo além da conta: Uma ambulância , com seus paramédicos ou seja lá o que for, parou do lado de uma pessoa caída, e pediu informação a uma outra que estava para atravessar a rua. Convesaram, trocaram informações como se aquele indigente não existisse. Tavez o plano de saúde do indigente não estivesse em dia... Mas a justiça será feita, de um jeito ou de outro. A nós, cabe continuarmos a ter fome e sede de justiça, sendo menos gulosos e sedentos, dividindo o pouco que nos resta e denunciando a nós mesmos inclusive, ainda que no silêncio das páginas da internet. Valeu Ramiro! Marcelo Pinto.